Dom Vilar destaca a Campanha Missionária

Missionários da esperança entre os povos é o tema do Papa Francisco para o Dia Mundial das Missões do Ano Jubilar 2025. Ele convida a Igreja, comunidade dos batizados, a viver sua vocação fundamental de mensageira e construtora da esperança nas pegadas de Cristo, sob a ação do Espírito Santo. Aqui está um resumo desta mensagem.

  1. Nas pegadas de Cristo, nossa esperança: O Jubileu nos chama a fixar o olhar em Cristo, o centro da história, o mesmo ontem, hoje e pelos séculos (Heb13,8). No ‘hoje’ da sinagoga de Nazaré Ele cumpre as Escrituras. Enviado do Pai, com a unção do Espírito Santo leva a Boa Nova do Reino de Deus e inaugura o ano favorável do Senhor para a humanidade (Lc 4,16-21) até o fim do mundo. Cristo fez o bem e curou os oprimidos pelo mal e o Maligno (At 10, 38). Pela salvação de todos, restituiu a esperança em Deus. Conheceu as fragilidades humanas, menos o pecado, passou pela agonia do Getsêmani e da Cruz. Não no desespero, mas cheio de esperança, pôs tudo diante de Deus Pai, obedecendo confiante ao seu projeto salvífico da humanidade (Jr 29,11). O divino Missionário da esperança é modelo de seus discípulos. Ele se inclina sobre cada pobre, aflito, desesperado e oprimido pelo mal, para derramar sobre suas feridas o óleo da consolação e o vinho da esperança. A Igreja, mesmo nas perseguições, tribulações e dificuldades, ou imperfeições e quedas, devido às fraquezas de seus membros, é chamada pelo amor de Cristo a avançar, unida a Ele, no caminho missionário e a escutar, como Ele e com Ele, o grito e o gemido de toda a criatura que espera a redenção. Somos chamados a seguir Jesus e, com Ele e n’Ele, ser sinais e mensageiros de esperança para todos em todos os cantos da terra!
  2. Os cristãos, portadores e construtores de esperança entre os povos: Ao transmitir a Boa Nova como portadores e construtores de esperança a todos, partilhamos as condições concretas de vida deles, diz a Gaudium et Spes 1: «as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo; e não há realidade humana que não tenha eco no seu coração». O discípulo missionário responde ao mandato de Cristo ressuscitado que enviou os discípulos a evangelizar os povos (Mt28,18-20) com a força do Espírito. Somos missionários da esperança dada pelo Senhor, esperança que ultrapassa as realidades do mundo e abre-se às divinas, que já saboreamos aqui e agora. Não só nas necessidades materiais ou espirituais, mas na salvação que ultrapassa estes limites, e se realiza na comunhão com Deus: salvação que já tem o seu começo nesta vida, mas que terá realização completa na eternidade.

Esta Esperança faz de nós sinais de nova humanidade num mundo em crise, em solidão e abandono, fechada a ajudar quem vive ao lado. A ânsia de eficiência e o apego às coisas e ambições nos faz centrados em nós mesmos e incapazes de altruísmo. O Evangelho vivido em comunidade faz de nós uma humanidade íntegra, saudável e redimida.

O Jubileu olha os mais pobres, fracos, doentes, idosos e excluídos da sociedade materialista e consumista. E isto, com o jeito de Deus: proximidade, compaixão e ternura, cuidando da relação pessoal na situação concreta em que se encontram, levando aos outros a mesma consolação com que somos consolados por Deus (2Cor 1,3-4).

  1. Renovar a missão da esperança: Os discípulos de Cristo são chamados a ser artesãos de esperança e restauradores de uma humanidade, um tanto distraída e infeliz.

A Espiritualidade pascal suscita Esperança na Eucaristia, no Tríduo Pascal, centro e cume do ano litúrgico. Somos batizados na morte e ressurreição de Cristo, a eterna primavera da história. Do Mistério Pascal temos a força do Espírito Santo, nos sacramentos, com zelo, determinação e paciência para trabalhar na evangelização do mundo.

A oração é a primeira ação missionária e a primeira força da esperança. Missionários de esperança, a pessoa que tem esperança é uma pessoa que reza. A oração que se faz com a Palavra de Deus e os Salmos, é uma grande sinfonia de oração cujo compositor é o Espírito Santo. Os Salmos educam-nos a ter esperança no meio das adversidades, a distinguir os sinais de esperança e a ter o constante desejo missionário de que Deus seja louvado por todos os povos. Rezando, mantemos viva em nós centelha da esperança, acesa por Deus para que se torne um grande fogo, iluminando e aquecendo os que nos rodeiam, também através de ações e gestos concretos inspirados pela mesma oração.

A evangelização é um processo comunitário. Não acaba com o primeiro anúncio e o batismo: continua na vida de comunidade do batizado à luz do Evangelho. A ação missionária de transmitir e formar a maturidade da fé em Cristo é o modelo de toda a obra da Igreja e exige comunhão de oração e ação. A responsabilidade missionária é de todos, crianças, jovens, adultos, idosos, em participar da missão evangelizadora com o testemunho da vida e oração, com os sacrifícios e a generosidade.

 

Dom Antonio Emidio Vilar, sdb
Arcebispo Metropolitano de São José do Rio Preto