A realidade do sistema prisional brasileiro, os desafios da evangelização no cárcere e os caminhos de atuação da Igreja diante das situações de exclusão social estiveram no centro dos debates da Assembleia Estadual da Pastoral Carcerária do Regional Sul 1 da CNBB. O encontro aconteceu entre os dias 15 e 17 de maio, na Casa de Retiro CEFAS, em Santos (SP), reunindo representantes de 29 dioceses do Estado de São Paulo.
Ao longo de três dias, agentes pastorais, lideranças e assessores refletiram sobre o trabalho desenvolvido junto às pessoas privadas de liberdade, seus familiares e aqueles que buscam reconstruir a vida após o cumprimento da pena. A assembleia foi marcada por momentos de formação, partilha de experiências, espiritualidade e planejamento das ações pastorais para os próximos anos. A Arquidiocese de São José do Rio Preto foi representada no encontro pelo coordenador, João Valdecir Fernandes. Giovanna de Carvalho Machado, coordenadora da pastoral Carcerária da Paróquia Nossa Senhora do Brasil; Lúcio Donizete Domingues, representante do CDP de Rio Preto e Roberto Batista dos Santos, do CDP de Icém.
Entre os participantes estiveram a coordenadora nacional da Pastoral Carcerária, Irmã Petra, o bispo referencial da pastoral no Regional Sul 1, Dom Luiz Antônio Cipolini, além de Padre Marcos Alves e dos coordenadores estaduais Geralda, Anderson e Cláudio. A acolhida dos representantes das dioceses foi realizada por Dom Joaquim Mol, que deu início aos trabalhos do encontro.
Um dos temas centrais da programação foi a aplicação das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE 2026-2032) no contexto da Pastoral Carcerária. A reflexão foi conduzida pelo Padre Marcos Alves e procurou relacionar os desafios da evangelização com a realidade vivida nas unidades prisionais. Também ganhou destaque a apresentação de Irmã Petra sobre a vivência do processo sinodal na pastoral, incentivando práticas de escuta, participação e corresponsabilidade.
A situação do sistema penitenciário paulista foi abordada pelo defensor público Bruno Shimizu. Durante sua participação, ele apresentou dados e análises sobre a garantia de direitos da população encarcerada, chamando atenção para questões como a superlotação das unidades prisionais e as dificuldades de acesso aos serviços de saúde. Segundo relatório recentemente divulgado pela Defensoria Pública do Estado de São Paulo, uma pessoa presa morre, em média, a cada 19 horas por falta de atendimento adequado à saúde.
As discussões também foram inspiradas pela Exortação Apostólica Dilexi te, do Papa Leão XIV. A partir do documento, os participantes refletiram sobre problemas que afetam diretamente a população carcerária, entre eles a criminalização da pobreza, as limitações de acesso à justiça, a precariedade da alimentação oferecida nos presídios e os obstáculos enfrentados no processo de reinserção social. Os agentes destacaram ainda o chamado da Igreja para denunciar situações de injustiça e colaborar na construção de uma sociedade mais humana e inclusiva.
A dimensão espiritual ocupou lugar especial durante a assembleia. Nas celebrações eucarísticas, os participantes renovaram o sentido de sua missão junto às pessoas em situação de cárcere. Na homilia da celebração de abertura, Dom Luiz Antônio Cipolini recordou que a ação da Pastoral Carcerária nasce do próprio Evangelho e do reconhecimento da dignidade de cada pessoa humana. O bispo ressaltou que a presença da Igreja nas prisões é sinal da misericórdia de Cristo, que se aproxima daqueles que vivem situações de sofrimento e exclusão.
A programação foi concluída no domingo, 17 de maio, com a Missa de Envio. O momento final simbolizou o compromisso renovado dos agentes pastorais em continuar promovendo a cultura do encontro, da esperança e da defesa da vida. Mais do que um espaço de organização pastoral, a assembleia reafirmou a missão da Igreja de estar presente junto aos que vivem a realidade do cárcere e de atuar na promoção da justiça e da dignidade humana.
Com informações
Manoela Souza
GT Comunicação – Pastoral Carcerária
(Regional Sul I)
