“A expectativa é das melhores para todos nós”.

ENTREVISTA
Em entrevista exclusiva para a Revista Igreja em Rede, Rádio Interativa FM e portal da Arquidiocese, o arcebispo de São José do Rio Preto, Dom Antonio Emidio Vilar, sdb, aborda diversos temas. O diálogo, conduzido pelos jornalistas André Botelho e Maria Clara Barbosa, se apresenta entre a retrospectiva 2025 e as perspectivas para 2026. “A expectativa é das melhores para todos nós”, sintetizou o religioso.

IGREJA – Como foi o Ano Santo para nossa Arquidiocese?
DOM VILAR – O Ano Santo, como Jubileu de Esperança, correspondeu à encarnação do Senhor. E nós, como Arquidiocese, tivemos a possibilidade de indicar as celebrações, as peregrinações e também a concessão das indulgências em cada Forania, tendo uma igreja, além da Catedral em cada região. Também a Rede de Vida de Televisão, no seu santuário, foi destacada como “igreja jubilar”. E assim, todos podemos fazer as experiências com as pastorais e os movimentos que também agendavam. Neste ano, nos tornamos Arquidiocese, no dia 22 de maio. Então, o Jubileu se tornou, também, um momento especial de projetar esta nova realidade.

IGREJA – Tivemos, neste itinerário, o falecimento do Papa Francisco. Como o senhor sintetiza o pontificado deste sucessor de São Pedro?
DOM VILAR – Com o Papa Francisco, tivemos a graça de fazer a visita pastoral (Visita Ad Limina). Nesta experiência, um contato pessoal com ele. Desde os inícios do seu magistério, nós vimos alguém que veio responder a uma síntese do que foi o Concílio Vaticano II, que além de São Paulo VI, São João Paulo II, o Papa Bento deu continuidade. Ele também veio com seu carisma próprio de latino-americano e também a sua experiência pastoral muito forte. Veio trazer a Laudato Si, a Fratelli Tutti sobre a questão da fraternidade universal; também toda essa questão da educação com um pacto educativo global. E as abordagens variadas, da questão sinodal. O Papa nos trouxe uma inspiração, que é a ação do Espírito que, agora, junto ao Papa Leão, certamente está sendo continuado. O seu legado permanece na mente e no coração, mas também na vida e na ação de todos nós.

IGREJA – Pois bem, Dom Vilar, o senhor falou do Papa Leão XIV e foi dele que o senhor recebeu a notícia da elevação da Diocese à dignidade de Arquidiocese. Como foi para o senhor receber essa notícia?
DOM VILAR – Nós tivemos a graça de ver que o cardeal Robert Prevost, o prefeito do Dicastério para os Bispos, estava encaminhando a realidade da nossa Arquidiocese com o Papa Francisco. Ele tinha firmado a publicação no dia 25 de abril. Com o falecimento do Papa no dia 21 de abril, a Nunciatura nos disse que o novo Papa iria chancelar. O Papa Leão se tornou para nós aquele que, de fato, criou a Arquidiocese. Ele me fez Arcebispo e, por isso, estando com ele, apresentei a nossa gratidão.

IGREJA – E foi do Papa Leão XIV que o senhor recebeu o pálio, nas primeiras semanas do pontificado, na solenidade São Pedro de São Paulo…
DOM VILAR – Foi muito bonito a gente poder visitar Roma com o novo Papa e também logo ter esta data, de 29 de junho, para celebrar com os novos arcebispos. Foram 54. Eu, o quarto último, o primeiro nomeado pelo Papa Leão. Receber o pálio é fazer comunhão com o Magistério Pontifício e, assim, mostrar a unidade.

IGREJA – Em 22 de maio nós tivemos o anúncio da criação da Arquidiocese e depois a sua instalação em 9 de julho, com a presença de lideranças de toda a Província e dos bispos sufragâneos. Nós podemos entender, Dom Vilar, que a celebração de 9 de julho foi a expressão da unidade da Igreja no Noroeste Paulista?
DOM VILAR – Sim. A instalação foi um momento muito especial. Oficializar toda esta realidade de Arquidiocese, sabendo que as Dioceses Sufragâneas de Barretos, Votuporanga, Jales e Catanduva já sonhavam com este momento. Nós também tivemos a presença de outras expressões do Estado de São Paulo, como Igreja, e até vizinhos de Minas. Todos esperavam este momento. A celebração, por si mesma, falou de unidade.

IGREJA – O que mudou na missão do Senhor ao ser nomeado arcebispo de São José do Rio Preto?
DOM VILAR –
O arcebispo tem a função de pensar a Província Eclesiástica e a Arquidiocese de São José do Rio Preto. Tem, também, a missão de olhar as outras Dioceses da Província. Os bispos também seguem em um trabalho de unidade desde as questões pastorais ou até administrativas. É a maneira de estar aqui, fazendo uma ponte, não só com a Nunciatura, mas também com a Santa Sé, em muitas questões. 

IGREJA – Em março celebraremos o quarto ano do senhor como nosso pastor. Quais foram as alegrias e os desafios durante este tempo?
DOM VILAR – Cheguei aqui no dia 19 de março de 2022. Eu estive na Diocese de São Luís de Cáceres, depois São João da Boa Vista e agora São José do Rio Preto. É claro que cada realidade, onde eu vou, é a minha casa, é a minha família. Como Diocese, e agora Arquidiocese, a gente precisa ter a compreensão de que todos esperam do pastor a acolhida. Então, passados três anos e, agora já vai para 4 em março, a gente tem que agradecer a Deus porque ele nos escolheu, nos ungiu e nos acompanha nesta missão.

IGREJA – E falando em missão, o Senhor realizou as visitas pastorais missionárias nas paróquias da cidade de São José do Rio Preto e em cidades da Região. Como o senhor pode sintetizar essa experiência?
DOM VILAR – As visitas pastorais missionárias foram precedidas, em 2022, por encontros nas Foranias. Foi um primeiro contato para conhecimento da Diocese.  As Visitas Pastorais Missionárias, nas paróquias, permitiram ter um olhar pastoral, administrativo, de toda a questão burocrática e, também, do secretariado. O mais importante é estar próximo dos colaboradores, dos padres; e próximo, também, das lideranças, dos conselhos pastorais, administrativos e de demais expressões como a Catequese. Depois as visitas às escolas, creches, o lar de idosos… Foram experiências de pastor com cheiro de ovelhas. Então é esta a riqueza que a gente vê nas Visitas Pastorais Missionárias.

IGREJA – Dom Vilar, agora a gente vai mergulhar um pouquinho na caminhada pastoral da Arquidiocese, trazendo aqui alguns assuntos e destacando também aquilo que foi realizado em 2025. E nós tivemos, no último ano, o primeiro encontro do Terço dos Homens e também uma caminhada jubilar realizada por este grupo. O senhor tem notado um aumento da espiritualidade entre os homens seguindo este carisma?
DOM VILAR – O Terço dos Homens já me impressionava quando nas assembleias dos bispos, em Aparecida, se falava do Movimento. E impressionava ver a resposta em relação ao Terço dos Homens. Ele tem uma linguagem diferente. Não é apenas pela oração em si, mas pela partilha de experiências de vida. É a oração e a ação sempre juntas. É justamente o encontro pessoal com Deus e o encontro pessoal como igreja com toda a humanidade.

IGREJA – Nós tivemos, também, uma grande atuação da Comissão em Defesa da Vida, celebrando inclusive a Semana Nacional da Vida. Qual a importância de se defender a vida no contexto das políticas públicas?
DOM VILAR – Mais do que nunca, a sociedade de hoje, individualista, consumista, pragmatista, não olha a pessoa humana nas suas necessidades básicas, mas nos interesses de grupos que acumulam e que buscam viver um prazer em si mesmo. Isso é perigoso! A vida é dom. É graça. E ela se faz dom e se faz graça quando existe um amor verdadeiro. O amor é exigente. Exige sacrifícios. Então, uma sociedade como a de hoje, corre o risco de valorizar uma cultura de morte. É necessário que nós, Pastoral Familiar, e todas as iniciativas que a Igreja tem, pensemos na concepção até uma morte natural. Essa é a missão da igreja: defender a vida. Não só gerar, mas cuidar dela a até a morte natural.

IGREJA – A Arquidiocese de São José do Rio Preto é fortemente marcada pela ação social em diversos níveis. Nós temos celebrado Fóruns ao longo dos últimos anos. Em 2026, que é um ano de eleições, as necessidades das populações vulneráveis seguirão em pauta?
DOM VILAR – Sim, foi a opção da nossa Província. Ainda éramos RP2 e, agora, continuamos como Arquidiocese, junto às Dioceses Sufragâneas, convencidos que os Fóruns Sociais devem continuar; bem como a opção pelo Povo em Situação de Rua e os idosos. Foi realizada esta opção (pelos Fóruns) e, de agora em diante, junto ao Poder Público e todas as suas instâncias.

Foi assim no Dia Mundial dos Pobres. Quantas entidades ali unidas. Foi tão bonito ver que naquele mesmo dia 61 pessoas foram resgatadas da rua num só gesto. Naqueles dias todos, dizia o (juiz da Infância e Juventude) Dr. Evandro Peralin, que quase 200 pessoas puderam ser encaminhadas. Então, é uma alegria enorme dizer que devemos fazer parcerias com o Poder Público e com a iniciativa privada também. Sempre em vista do bem dessa população mais frágil.

IGREJA – Outra atividade que também ganhou destaque na Arquidiocese foi o Projeto Igrejas Irmãs. Quais são as perspectivas para 2026?
DOM VILAR – Para nós foi uma grande surpresa o Projeto Igreja Irmã, desde a carta que Dom Flávio (Giovenalli) nos enviou. Carta, essa, lida para o clero e, depois, para os vários organismos da nossa Arquidiocese. E para eles também tem sido uma surpresa, porque tem se constituído um Projeto de Igreja Irmã único, muito especial. Nós vemos a importância de acompanhar leigos envolvidos, diáconos, padres, seminaristas e também pessoas que querem contribuir naquilo que podem. Não só indo lá, mas também estando por aqui, em oração. E quantos são os que ajudam materialmente, economicamente, para sustentar todos esses projetos. Nós aprendemos uma lição que precisa ser continuada. E mesmo aqui, tivemos a experiência da Área Missionária, que é uma extensão dessa missão. Cada paróquia pode ser igreja em saída com os ministros que atendem as casas, doentes, idosos ou pessoas em necessidade.

IGREJA – Dom Vilar, o senhor falou dos Ministros e, em junho, na semana de Corpus Christi, nós celebramos a Caminhada Eucarística. Como tem sido para o senhor realizar este momento?
DOM VILAR – É momento para professar esta fé na presença real de Jesus na Eucaristia. É o sacramento da unidade. Eucaristia, Cristo que se faz pão para a nossa vida, a vida eterna. E assim, vimos que foi um momento de grande lucidez; e tem sido cada vez melhor a participação e a compreensão do significado da Caminhada Eucarística.

IGREJA – E falando em caminhada, a Arquidiocese de São José do Rio Preto também celebra outras caminhadas, como a de Castores, o Caminho do Padre Mariano e o ponto de partida do Caminho da Fé. Qual a importância dessas expressões da religiosidade popular?
DOM VILAR – Esta meta da religiosidade popular e liturgia vai ser um dos quatro pilares das Diretrizes da CNBB e do nosso plano de pastoral. Cada experiência renova a fé. Também entendemos que estamos caminhando de um espaço para outro. É o caminho desta vida para Deus. São muitos simbolismos, muitas expressões através da oração, através dos cantos e através, também, de quem está caminhando conosco. É caminhar juntos. Ninguém pode se sentir isolado nesta caminhada da vida de fé rumo ao céu.

IGREJA – Outro evento é o Beraká…
DOM VILAR – São expressões fortes que reúnem multidões. São momentos de celebração de uma caminhada de pessoas, de comunidades, de pastorais, de movimentos que são atraídos para celebrar a sua fé. Seja um movimento como a Renovação Carismática, que toma a iniciativa, e todos os outros movimentos que se sentem atraídos para ir ali celebrar junto. É uma riqueza! Quantas confissões acontecem… As Celebrações Eucarísticas, as pregações, as exposições e tantas maneiras de se sentir Igreja. Tudo fortalece a vida das pessoas para viver a Igreja na Comunidade onde estão.

IGREJA – Quais são os desafios que a Igreja precisa enfrentar hoje para evangelizar os jovens?
DOM VILAR – Os jovens são a renovação constante da Igreja. É o projeto de vida que cada um elabora em vista do matrimônio, em vista de uma vocação que se faz serviço. Não só como profissão. Não é! Mas como ministério, como doação a partir da Vida Cristã que o inspira. Então, temos aí o Crisma Fest, os encontros de acólitos. Temos, também, momentos especiais que, agora, o Setor Arquidiocesano da Juventude está reelaborado a partir do Documento 85 (que também está sendo reelaborado porque a juventude, depois de 18 anos, mudou muito). É preciso reler e entender o jovem, não de 18 anos atrás, quando foi escrito o Documento 85, mas hoje. É preciso gostar do que os jovens gostam para que eles gostem do que a Igreja gosta e propõe. Como dizia Dom Bosco, não basta amar os jovens, é preciso que eles se sintam amados. A Igreja se faz próxima e companheira.  

IGREJA – O senhor esteve presente, em Aparecida, no encontro com a juventude. Sendo um dos bispos referenciais desse segmento, o que o senhor aprende com os jovens?
DOM VILAR – Já expressei esse sentido de que o jovem precisa ser ouvido e a gente aprende porque ele é o radar da sociedade. Ele capta os sinais dos tempos antes dos adultos. Os adultos estão ali, “amassando o barro”, respondendo pela família, pela comunidade, por toda a sociedade, mas eu vejo que os jovens que também estão ali, precisam de interlocutores, de quem os acompanhe. A gente aprende muito com cada jovem. Um adulto que acompanha os jovens, rejuvenesce. Está sempre jovem com mais anos, é claro, mas sempre jovem porque sabe lidar com o jovem. Quem se afasta do jovem, quem não os escuta, fica caduco. E aí a importância de aprender sempre com os jovens.

IGREJA – O Setor Juventude da Arquidiocese de São José do Rio Preto passou por uma reformulação. O que podemos esperar para 2026?
DOM VILAR – Sim. Como Setor da nossa Arquidiocese, enquanto realidade juvenil, foi reformulado. Tivemos uma pesquisa e, agora, as lideranças que representam cada segmento formarão um conselho, uma equipe. É claro que está na agenda o Dia Mundial da Juventude, depois, também, a Jornada Arquidiocesana da Juventude. Essas são maneiras de se celebrar com todos os segmentos juvenis. Cada segmento, Ministério Jovem ou um grupo paroquial, cada um pode ter a sua programação, sempre de oração, formação e ação para ser completo.

IGREJA – É na juventude que florescem as vocações. No ano passado, em novembro e dezembro, três novos padres foram ordenados para a Santa Igreja. Qual é a alegria por essas respostas vocacionais na Arquidiocese?
DOM VILAR – As vocações expressam o amor que Deus tem por todo o seu povo, suscitando pastores, pessoas que animam, que cuidam do rebanho. E Deus é bom, Deus é pai, né? Deus é o pastor e assim, Jesus diz: “Pedi ao Senhor da Messe que mande operários para a sua messe, pois a messe é grande, os operários são poucos”. Claro que a messe é grande, as necessidades são sempre maiores, por isso o número sempre será insuficiente, mas quanto mais rezamos e nos dispomos a esse discernimento das vocações, mais frutos podemos colher. Devemos criar uma cultura vocacional, não uma cultura de pessoas que pensam em si ou que se fecham.

Graças a Deus, foram três padres em 2025, se Deus quiser, serão outros cinco padres nesse ciclo. E assim, vamos em frente, procurando suscitar novas vocações, porque a messe é grande e os operários são poucos.

IGREJA – Também tivemos a organização da Escola Diaconal e a acolhida de cerca de 30 candidatos. Como o senhor viu o despertar destas vocações fortemente marcadas pela experiência familiar e comunitária?
DOM VILAR – A Escola Diaconal já havia e agora foi retomada com nova coordenação e nova inspiração a partir de novas diretrizes sobre o Diaconado Permanente e a formação dos Diáconos. É claro que precisamos fazer uma escolha dos candidatos, fazer uma seleção. Foram muitos os que procuraram. É preciso discernir sobre aqueles que tem condições diante da realidade familiar, da sua realidade comunitária, na sua realidade profissional e assim por diante. Também na relação com o Clero; porque o Diácono vai se tornar Clero. Essas realidades precisam ser discernidas, pois é uma formação que depende das dimensões humano-afetiva, espiritual, intelectual e, também, da dimensão pastoral missionária.

IGREJA – Diante destas realidades, qual é o papel do Conselho de Formação?
DOM VILAR – O Conselho deve levar adiante a formação nos Ministérios Ordenados (Diácono e Presbítero). O Conselho acompanha o vocacionado. Está ali o representante do Propedêutico; depois, do discipulado. E, depois, a configuração. A Pastoral Presbiteral, que já mostra a realidade dos Presbíteros (desde os padres jovens até os idosos). É muito importante que ela esteja ali. E além das etapas que compõem o Conselho com seus representantes, nós temos também as dimensões de que falei. O Centro de Estudos, com Filosofia e Teologia tem dois que representam como diretores. E a Pastoral Missionária e o coordenador de pastoral. Assim, cada um que tá nessa área é um representante e trabalha com os outros. Hoje a formação precisa de clareza, de transparência e o Conselho de Formação é um instrumento que deve assumir suas responsabilidades.

IGREJA – Em 2025 nós tivemos a Campanha da Fraternidade sobre a ecologia, nos fazendo pensar sobre a nossa “Casa Comum”. Agora, um novo desafio, que é a questão da moradia. Qual a importância desse tema para nossa região metropolitana?
DOM VILAR – A moradia já foi tema da Campanha da Fraternidade e eu me lembro como me envolvi em São Paulo. Estava no Alto da Lapa. Uma realidade que eu jamais podia imaginar, de cortiços e favelas. Chegando em São José do Rio Preto, já me assustei pela metrópole que foi criada recentemente, agora como Arquidiocese. São realidades desafiadoras que precisam nos questionar. Precisamos ter consciência que viver o Evangelho, viver a fraternidade, viver o Reino de Deus, é sempre na opção que fazemos. Existem muitas questões que podem ser abordadas dentro de uma campanha. Por isso a Igreja traz o melhor de si, de quem está dentro da reflexão no momento histórico. A gente precisa acreditar que uma Campanha da Fraternidade faz toda a diferença.

IGREJA – Neste último ano recebemos, na Arquidiocese, muitas lideranças; inclusive com trabalhos relevantes em todo o Brasil, como o padre Jean Paul Hansen, o padre Luiz Fernando, que é o secretário executivo do Regional Sul da CNBB… Dom Esmeralda, Dom José Carlos (Caraguatatuba). Além dessas, outras expressões representando as Pontifícias Obras Missionárias. Qual o legado deixado por esses formadores?
DOM VILAR –
Como cada paróquia precisa dar formação para os seus leigos, a Arquidiocese assume a mesma direção. Podemos, sim, reunir todas essas lideranças paroquiais e pensar em conjunto. Que bom que tivemos pessoas do nosso Regional Sul 1 do Estado de São Paulo. Lideranças e assessores que vieram da CNBB para poder nos ajudar naquelas metas que nós tínhamos.

A oportunidade de pensar o Plano de Pastoral, com as suas instâncias atuais, em comunhão com a CNBB. Foram momentos de formação intensíssimos, dentro de uma visão sinodal de mais escuta, de discernimento, de conversação espiritual…  a gente saber ler na Palavra, mas também na prática, nas experiências de quem está nesse discernimento, o que tem de melhor para o momento. Demos graças a Deus por essas assessorias e quem sabe, cada vez mais, nos sirvamos delas, que estão à disposição da animação da Igreja no Brasil, para que respondam não só à nossa Arquidiocese, mas a toda a nossa Província.

IGREJA – Em novembro do ano passado tivemos a primeira Assembleia de Pastoral com o tema “missão e diocesaneidade”. O que representa viver essa diocesaneidade agora que somos arquidiocese?
DOM VILARA Assembleia vem trazer sentido de pertença, né? Dentro daquela inspiração do sínodo, de uma igreja sinodal, comunhão, participação e missão. É uma visão ampla daquilo que se requer de discípulos missionários. A diocesaneidade, para nossa Arquidiocese, é um momento chave de pensarmos a nossa realidade; não só o Clero, mas as lideranças leigas e ver quanta riqueza que temos para trabalharmos em conjunto, não à parte. Porque pode haver sempre “bolhas”, né? As “tribos”, aqueles que fazem o seu caminho, mas não comungam com o todo de uma pastoral orgânica. Desse caminho sinodal. Então, demos graças a Deus porque esta Assembleia ajudou bastante nesta compreensão.

IGREJA – E neste ano de 2026 será lançado o Plano Arquidiocesano de Pastoral no dia dedicado ao Sagrado Coração de Jesus (12 de junho). Dom Vilar, o que podemos esperar deste novo plano?
DOM VILAR – O novo plano da nossa Arquidiocese atualiza todos os passos dados com os anteriores, mas junto às Diretrizes (da CNBB). Temos muita expectativa, porque nós vamos trabalhar justamente a questão da iniciação vida cristã, depois comunidades eclesiais missionárias. Trabalhar a questão da liturgia, a devoção popular e as fragilidades ou as questões pastorais, sobretudo com um olhar para o pobre. Que este Plano possa nos ajudar neste caminho.

IGREJA – O que o senhor espera dos arquidiocesanos neste novo ano que se inicia?
DOM VILAR – 2026, um ano da graça que Deus nos concede. É claro que a expectativa é das melhores para todos nós. Depois de ter sido criada a Arquidiocese. Depois de termos caminhado num tempo bonito que foi o Sínodo… nessa compreensão das Visitas Pastorais, na escuta sinodal… agora estamos colhendo frutos.

É grande a expectativa nesse ano pastoral, para nós assentarmos não só as ideias, mas para efetivar os projetos. Para que eles sejam realizados em comum acordo, com planejamento. Depois, quem sabe, revisados e avaliados para que possamos sempre caminhar. Que avancemos sempre com otimismo, com alegria, sabendo que é Deus que nos escolheu e nos capacita para esta missão.

 

Edição 
André Botelho
(Em missão na Diocese Irmã de Cruzeiro do Sul/AC)