Artigo de Dom Antonio Emidio Vilar, sdb

Deus nos chama à vida, à fé no Batismo, ao Serviço na Família e na Comunidade. Vocação é dom de Deus e resposta humana. Vocação acertada na vontade de Deus é Vida feliz que contagia de alegria e paz!

O primeiro domingo de agosto propõe refletir e rezar pela vocação sacerdotal; o segundo, pelos pais e pelo matrimônio; o terceiro, pela vida consagrada; o quarto, pelos cristãos leigos e, enfim, pelos catequistas.

Peçamos ao Senhor da Messe que envie muitos operários para a sua Messe na vida sacerdotal, religiosa, missionária e para a vida matrimonial. É da Família que brotam as vocações! A Semana da Família 2026 tem por tema: ‘Família, torna-te o que és!’ O lema é ‘O Amor jamais acabará!’ (1 Cor 13,8). A Família, a Comunidade de Fé, os carismas e serviços expressam como ser o que somos de fato: cristãos. O cristão acolhe este Amor que jamais acaba e se dispõe a testemunhar este Amor nas mais diversas formas.

Neste ano me foi pedido partilhar sobre a minha vocação. Minha vocação é múltipla: Deus me chamou primeiro à vida, depois, à vida cristã, vida religiosa salesiana, ministério diaconal, presbiteral e episcopal.

A vocação à vida me deu a certeza de fé: Deus me ama. Porque me ama, dá a vida. A vocação à vida pede uma resposta a cada dia. O Sim a Deus que me ama faz de mim sinal e portador de seu amor a todos.

A vocação cristã nasce em família: meu avô cuidava da Igreja do Senhor Bom Jesus de Guardinha, Distrito do Município de São Sebastião do Paraíso, MG. Minhas tias faziam as rezas diárias. O padre vinha uma vez por mês. A mudança para Batatais permitiu Missas diárias na Paróquia Senhor Bom Jesus da Cana Verde. Ali fui coroinha e da Cruzada, e, no Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, as irmãs salesianas me prepararam para o seminário salesiano com os encontros vocacionais.

Parti para a vocação salesiana em 1969, aos onze anos, no seminário salesiano de Pindamonhangaba. De 1970 a 1974, estudei em Lavrinhas. Para o noviciado salesiano, voltei a Pinda. Fiz a profissão religiosa em 31 de janeiro de 1976, dia de Dom Bosco (agora, em 2026, completei 50 anos de profissão religiosa salesiana).

De 1976 a 1978, estudei filosofia e pedagogia na Faculdade Salesiana de Lorena, onde Dom Irineu Danelon era diretor e o Padre Jonas Abib, da pastoral. De 1979 a 1980, fui assistente e professor no Seminário Salesiano de Lavrinhas. Em 1981, até agosto, fui assistente e professor no Instituto Dom Bosco do Bom Retiro, SP.

Em Roma, de setembro de 1981 a junho de 1986, estudei teologia (bacharelado-mestrado) na UPS, Universidade Pontifícia Salesiana de Roma. Vivi na comunidade salesiana do Gerini, composta de 18 nacionalidades. Tive a graça de ser acólito e diácono de São João Paulo II várias vezes, no Vaticano.

Exerci o diaconato por dois anos, morando na Comunidade São Tomás de Aquino da UPS, e fazendo pastoral em paróquia e oratório salesianos.

Depois da ordenação sacerdotal em Batatais, dia 09 de agosto de 1986, há 40 anos, fui formador em Pindamonhangaba (seminário menor); em Lorena, por três anos, na filosofia; no Pio XI, Alto da Lapa, SP, por oito anos na teologia; e, em São Carlos, por nove anos como mestre de noviços.

Transferido em 2008 à obra social Instituto Dom Bosco e Paróquia Santuário Nossa Senhora Auxiliadora, no Bom Retiro, SP, no dia 05 de julho de 2008, ao término do retiro anual, recebi a nomeação episcopal. A sagração episcopal foi no Santuário Nossa Senhora Auxiliadora, no dia 27 de setembro de 2008.

O ministério episcopal foi nas dioceses de São Luís de Cáceres, MT, até 2016; São João da Boa Vista, SP, até 2022; e desde então, em São José do Rio Preto, que se tornou Arquidiocese dia 09 de julho de 2025.

Aprendi muito das realidades culturais e eclesiais tão diversas e desafiadoras que encontrei em cada local. Os fiéis, as lideranças, os ministros, todos expressam sua fé e ensinam muito como ser Igreja.

Cada passo de discípulo de Cristo que podemos dar abre novos horizontes na missão. É respondendo ao chamado do Senhor em cada situação que sentimos sua presença e ação em nossas vidas. É no caminho que descobrimos como o Senhor nos capacita a ser sinais e portadores de seu amor a todos.

Dom Antonio Emidio Vilar, sdb 
Arcebispo Metropolitano de São José do Rio Preto