Assembleia do Regional Sul 1 propõe recepção criativa das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora

O Regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) realizou, entre os dias 9 e 11 de junho, sua 88ª Assembleia. O encontro, no Mosteiro de Itaici, em Indaiatuba, reuniu 51 bispos e arcebispos que exercem seus ministérios em 43 Igrejas Particulares Paulistas. Os respectivos coordenadores de pastoral também acompanham o diálogo. A Arquidiocese de São José do Rio Preto foi representada por Dom Antonio Emidio Vilar, sdb, e pelos padres Luiz Caputo e Fábio Dungue. “Recepção criativa das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, nas Igrejas locais” foi o tema do encontro.

Mesa redonda
A partir de indicativos apresentados, oito bispos lançaram olhares acerca da recepção criativa das DGAE. A mesa redonda foi inaugurada pelo cardeal Odilo Pedro Scherer. “Nós temos muito chão para andar, cada um, conforme a sua realidade diocesana”, alertou arcebispo metropolitano de São Paulo. Dom Milton Kenan Junior, da Diocese de Barretos, sublinhou a importância da sinodalidade  na recepção das Diretrizes.

Na Celebração Eucarística que marcou o encerramento do primeiro dia de atividades, o bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo, Dom Celso Alexandre, considerou a importância do momento vivido pelo episcopado. “O texto das Diretrizes nos aponta o caminho”, disse. Dom Celso completou o pensamento recordando que “o anúncio de Jesus Cristo se faz mais por testemunho que por palavras”. Ainda considerando as leituras do dia dedicado a José de Anchieta, foi feita menção ao profeta Elias e a pobre viúva como “imagem da Igreja, conforme apresentado nas Diretrizes (em referência à tenda fincada na fé, esperança e caridade em um contexto de comunhão, participação e missão)”.

Alargando os horizontes 
“A incidência das Diretrizes da Ação Evangelizadora nas Igrejas Locais: caminhos de recepção, desafios e conversão pastoral” foi o primeiro tema que o Pe. Jean Poul Hansen, secretário executivo de campanhas da CNBB, desenvolveu quando do início de suas exposições (que ocorreram ao longo do encontro).

A perspectiva histórica da ação pastoral da CNBB, a importância de conhecer o texto das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 2026-2032 (DGAE) e os desafios sociais, como o individualismo contemporâneo, foram trabalhados pelo Pe. Jean Poul a fim de ajudar o episcopado paulista e os padres coordenadores de pastoral na recepção das DGAE nas assembleias e nos planos de cada arquidiocese e diocese paulista.

Sinodalidade e Missionariedade 
O segundo dia da Assembleia do Regional Sul 1 da CNBB contou com cinco sessões. “Discernindo os sinais dos tempos: em que realidade estamos acolhendo as novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora?” A pergunta apresentada pelo secretário executivo do Regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Pe. Luis Fernando da Silva, norteou as primeiras discussões de quarta-feira, 10 de junho.

Com 44 milhões de habitantes dispostos em 645 municípios, o Estado de São Paulo concentra 21% da população brasileira e segue como principal motor da economia do país. Apesar dos índices favoráveis, os desafios se apresentam proporcionais; especialmente em setores como o de segurança pública, mobilidade urbana e transporte, saúde, educação e formação da juventude; bem como no contexto do desenvolvimento regional. “Formar pessoas capazes de discernimento ético é necessário. A opção preferencial pelos pobres continua sendo critério fundamental da Ação Evangelizadora”, ratificou o Pe. Luis Fernando. Outro aspecto sublinhado pelo secretário executivo do Regional, no contexto da recepção das DGAE, é o ano eleitoral e a forte polarização verificada pelo terceiro processo eleitoral seguido.

Sinais de esperança 
O primeiro ano de pontificado do Papa Leão XIV também foi considerado no processo de recepção das Diretrizes. Diplomacia e paz, viagens apostólicas, Jubileu e juventude e sinodalidade e governo da Igreja foram assuntos que se destacaram nas ações do Santo Padre. “A Igreja deverá ser mais sinodal e acolhedora”, concluiu o Pe. Luis Fernando.

Ano Jubilar 
Os presentes foram profundamente tocados pelo testemunho de São Francisco na ocasião em que se recorda os oito séculos do trânsito (morte) do Santo. O “pobrezinho de Assis” foi destacado em Celebração que marcou o encerramento do segundo dia de atividades. O arcebispo metropolitano de Campinas, Dom João Inácio Müller, presidiu o encontro que contou, também, com a presença de freis, noviços e postulantes residentes na Região. “Ele é gerado pela Palavra de Deus. Seu anúncio sempre é do Senhor. Francisco pede aos seus para que não abandonem os inícios (as origens)”, considerou o arcebispo.

A ação missionária 
Terceiro e último dia da 88ª Assembleia do Regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). As atividades na quinta-feira, dia 11, foram abertas em Celebração Eucarística presidida pelo arcebispo metropolitano de Ribeirão Preto e presidente do organismo, Dom Moacir Silva. Concelebraram o bispo diocesano de São Carlos, Dom Luiz Carlos Dias, e o bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo, Dom Carlos Silva, OFMCap; respectivamente vice-presidente e secretário do Regional Sul 1. “Peçamos sempre que o Espírito Santo nos conduza e nos encaminhe para que possamos cumprir aquela missão que o Senhor nos chamou”, sublinhou o presidente do Regional.

A presidente das Pontifícias Obras Missionárias (POM), Irmã Regina da Costa Pedro, dirigiu momento de partilha. Recordando que 80% dos valores arrecadados na Coleta Missionária são destinados ao Fundo Universal de Solidariedade e que os outros 20% são aplicados no Brasil, a religiosa sublinhou a necessidade de engajamento das lideranças nas Igrejas Locais. “Temos a possibilidade de sermos mais generosos”, disse a religiosa.

Considerando a realização do sétimo Congresso Americano Missionário (CAM 7), a ser realizado em Curitiba, em novembro de 2029, a Diretora das Pontifícias Obras concluiu sua exposição exortando os presentes a rezarem a oração para o Dia Mundial das Missões. “Unidos em Cristo. Um em Cristo. Unidos na missão”, finalizou a Ir. Regina.

Promoção das Diretrizes 
Os participantes, ao final da Assembleia, foram exortados a encontrar formas criativas de popularizar o documento que norteará as ações pastorais até 2032. Na Arquidiocese de São José do Rio Preto, a partir do Plano de Pastoral, iniciativas serão realizadas e o compartilhamento de informações acontecerá a partir dos diversos meios disponíveis. Reuniões, encontros, atividades pastorais e demais realizações deverão abrir espaço para a popularização das Diretrizes junto ao Povo de Deus.

Texto 
Pe. Tiago Barbosa
André Botelho

Fotos 
André Botelho
Pascom / Assessoria de Imprensa
Arquidiocese de São José do Rio Preto